
Milhares de estudantes encheram de novo a baixa portuense de cor e alegria no decorrer do cortejo académico. As emoções transbordaram nos principais locais da cidade, desde a Restauração e a Cordoaria até explodirem nos Clérigos e fazerem furor nos Aliados. Os estudantes fizeram a festa. Os pais, avós, irmãos, tios e amigos aguentaram o imenso calor para receberem com orgulho os seus entes queridos.
Não faltou folia na principal festa académica da cidade do Porto. O cortejo dividiu-se em emoções. Por um lado estavam os caloiros que em breve deixariam de o ser e a vivência de um primeiro cortejo. Por outro, os finalistas que se despediram da sua vida de estudantes já com a saudade estampada no rosto. “ Somos finalistas!” – foi um dos gritos mais entoados pelos universitários. Cartolas e bengalas de várias cores preencheram a baixa portuense. A diversão foi um facto numa tarde marcada pelo calor e pela alegria. A sede era já muita e por isso não faltou a venda de bebidas frescas para refrescar as gargantas dos estudantes. A cerveja e a água ajudaram à festa. Os flashes das máquinas fotográficas estavam também presentes. Todos queriam recordar este dia.
Gritar pelos cursos
Os estudantes gritaram a uma só voz pelas suas faculdades. Os vários cursos conviveram uns com os outros. Exemplo disso foi a festa feita entre os alunos de Jornalismo e Ciências da Comunicação (JCC) e os da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP). Os estudantes da JCC gritaram por Engenharia e Engenharia berrou por Jornalismo. Não faltou também por parte da FEUP, a referência ao Primeiro-ministro. “ Se o Sócrates quer ser engenheiro, tem de acabar esse curso até ao fim, até ao fim!” – foi o que se entoou ao longo das ruas do Porto.
O cortejo, que começou mais tarde que o previsto, durou até à noite onde a folia parecia não acabar. As palmas e as canções repetiram-se sem cessar. Apenas por volta das 18h é que o desfile chegou aos Aliados. Milhares de pessoas esperavam ansiosamente a passagem dos estudantes. Na tribuna encontravam-se os reitores da Universidade do Porto e o presidente da Câmara, Rui Rio, prontos a felicitar os universitários por mais um passo na sua vida académica.
Animação nos carros alegóricos
Os carros alusivos aos cursos marcaram, como sempre, presença no cortejo. Com as habituais mensagens e sem faltar a imaginação, este ano contou-se com uma surpresa no carro dos estudantes de Medicina do S.João. Estava lá uma das figuras mais carismáticas da cidade do Porto por uns tratado por “Animal”, por outros conhecido como “ Emplastro”.
“Um momento único”
A confusão e os sorrisos misturam-se com os estudantes num momento que se revelou inesquecível. A emoção de passar a tribuna quer para os caloiros quer para os finalistas foi um facto. Ana Gonçalves, caloira do Instituto Superior da Maia (ISMAI), refere o cortejo como um “momento único”. “ Ao passar a tribuna fiquei com uma lagrimazinha no olho. Foi óptimo sentir que valeu a pena passar por todas as praxes, por todos momentos importantes que marcaram este ano”, acrescentou.
Já para a finalista do curso de Jornalismo e Ciências da Comunicação da Universidade do Porto, Diana Santos o cortejo “ não significou nada em especial”. “ Foi mais importante porque ao mesmo tempo que acompanhava o cortejo estava a trabalhar, o que é óptimo.”- explica. Refere ainda estar feliz pelo percurso feito ao longo do tempo e entende que o cortejo “simboliza essa passagem, esse crescimento, qualquer que seja o ano do curso que frequentamos”. No entanto sobre momento de passar a tribuna revela que foi mais importante, mas que sentiu uma “revolta entristecida”. “ Há demasiadas regras para um momento que devia ser festivo e que é sobretudo tão pessoal para cada estudante” – lamenta.
Quem assistiu ao cortejo também não ficou indiferente. Bruno Fernandes, estudante da Faculdade Letras da Universidade do Porto, gostou do cortejo, mas tece algumas críticas à organização. “ Acho que há falta de organização. Devia ser pontual e não o foi. Devia ser criada uma infra-estrutura para as pessoas assistirem ao cortejo, uma vez que os Aliados têm bastante espaço” – refere.
O dia do cortejo que se revelou marcante para todos rematou com mais uma noite da Queima das Fitas. A folia e a vivacidade continuaram pela noite fora. O que começara com o entoar das canções das faculdades veio a acabar ao som de Quim Barreiros e Fernando Pereira.

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