Wednesday, November 28, 2007

Refúgio das Patinhas: o dia-a-dia de um grupo que recolhe e ajuda de animais abandonados


O Refúgio das Patinhas não é uma associação, mas sim um grupo de voluntários que constituem Famílias de Acolhimento Temporário (FAT’S) e que recolhe e ajuda animais a encontrarem novos donos. Cláudia Maia, estudante universitária de 20 anos, colabora com o Refúgio das Patinhas e conta um pouco do dia-a-dia deste grupo.



“ Decidimos não criar uma associação porque em termos burocráticos tem muitas regras. O Refúgio surgiu como alternativa a uma associação normal. E já está aqui há bastante tempo, já lá vão 4 anos.”- afirma. A estudante recebe telefonemas de pessoas interessadas, trata dos donativos e ajuda na divulgação de casos de animais abandonados. Todo este trabalho é conciliado com a faculdade.




Este projecto ajuda pessoas que recebem os animais em suas casas e que precisam de apoio para tratar deles. Não são uma associação e por isso não têm sócios. Utilizam a internet para divulgar os vários casos e daí recebem vários donativos. “ As nossas ajudas vêm todas da Internet. São mais ajudas em termos monetários, porque apesar de nós não sermos associação, as pessoas ajudam-nos e não têm problemas com isso. Também temos ajudas em termos materiais como ração.”- esclarece a estudante.



O Refúgio das Patinhas tem à volta de 100 animais. Trata-se de um trabalho difícil e que requer uma coordenação de tarefas. Contam com a colaboração de associações como a Pelos Animais que se responsabiliza pela criação e manutenção do site do grupo. O dia-a-dia do Refúgio das Patinhas é “ muito complicado”, como confessa Cláudia Maia. “ Nós somos várias pessoas. (…) Recebo contactos durante todo o dia (…), estou muitas horas na Internet a divulgar casos de animais. A Ana trata dos e-mails e dos contactos de pessoas que queiram adoptar e que sejam bons.” “ É muita azáfama.”, revela.




Neste último ano têm sido abandonados muitos animais. O Refúgio das Patinhas tem de estabelecer um limite para a recolha de cães e gatos. Teve de o fazer principalmente no passado mês de Outubro que se revelou muito complicado. “ Temos de saber quando parar. O que está a acontecer este mês (Outubro) é que sabemos de casos de cães que estão na rua e que estão a precisar de ajuda e tentamos colocar um apelo na Internet para tentar arranjar uma Família de Acolhimento Temporária.” – explica Cláudia Maia. Cada vez mais animais são abandonados em Portugal. Já não é no Verão, mas durante todo o ano.







Texto de Renata Silva.

Refúgio das Patinhas: “O abandono de animais é muito relativo”



O Refúgio das Patinhas recolhe animais abandonados e ajuda-os a encontrarem novos donos. Cláudia Maia, colaboradora do Refúgio, tece algumas considerações sobre a situação de abandono em Portugal e sobre o caso concreto das adopções do Refúgio das Patinhas.




“O abandono de animais é muito relativo”, afirma Cláudia Maia, colaboradora do Refúgio, a respeito das causas do abandono de animais. “ Nós em Portugal não temos muita formação. Por exemplo, a falta de educação das pessoas para com os animais, acho que é um factor muito importante.” – acrescenta. “ Nós recebemos imensos telefonemas com pessoas a dizer que querem uma cadela e eu pergunto onde é que ela vai dormir, se é em casa ou no quintal, e dizem-me que ela vai estar acorrentada.” Entre outras causas Cláudia Maia refere os divórcios como um dos principais factores do abandono de animais.



O abandono reflecte-se muito nos canis. “ A situação dos canis em Portugal é muito triste.”- comenta. Os canis não permitem às pessoas tirar fotos para divulgar os casos e ajudar nas adopções. “Há o caso das pessoas que querem divulgar os animais dos canis e tirar fotografias para pôr na Internet, mas eles não facilitam este processo. Ajudar a divulgar os animais dos canis seria um bom começo, mas infelizmente não se consegue.”- afirma Cláudia Maia.


Num balanço das adopções de cães e de gatos do Refúgio das Patinhas há alguma relatividade e gera-se alguma expectativa. “É muito relativo porque há fases em que damos muitos animais e outras em que damos muito menos. Vai chegar Dezembro e vamos dar imensos, espero eu.”



Com toda esta “azáfama”, como refere Cláudia Maia, é complicado atender a todas as chamadas que são feitas, fazer deslocações sem ter transporte e conciliar todo o trabalho com a faculdade.


Prioridades do Refúgio das Patinhas? “…acho que neste trabalho não se pode estabelecer prioridades. Este é um contexto que muda todos os dias.”, afirma Cláudia Maia. O Refúgio das Patinhas trabalha em várias vertentes. “Tentamos então agir em várias vertentes: tentar arranjar FAT’s, tentar arranjar fundos… Mas são sempre objectivos a curto prazo, de semana a semana, dia-a-dia porque senão não conseguimos mais.”



Texto de Renata Silva.

Monday, November 5, 2007

" Poderia ser" Jornalismo- Manuel António Pina

""Poderia ser" jornalismo

Por outras, palavras,
Manuel, António, Pina
Uma das características de algum jornalismo que hoje por aí se faz é que nada acontece, tudo "poderia ter acontecido" ou "poderá acontecer". Outro dia pus-me a contar os futuros e condicionais de uma "notícia" de uns poucos de períodos publicada no "Correio da Manhã" sobre o desaparecimento de Maddie McCann. Ao todo, contei 10 condicionais e futuros hipotéticos para um único e glorioso "foram". A "notícia", assinada por uma jornalista "de investigação", era só uma ociosa enumeração de suposições as análises "podem ser" hoje enviadas para Portugal; um cão pisteiro "ter-se-á mostrado" nervoso, o que "poderia indiciar" não sei o quê; "a utilização de cães pisteiros "terão sido sugeridos" (sic) pelos ingleses; um amigo dos McCann "terá levantado" suspeitas; um inglês "poderá ser extraditado"; os McCann "terão arrendado uma casa"; etc.. Por outro lado, as raras vezes que, em tal jornalismo, algo acontece, acontece "alegadamente": a mulher foi alegadamente atropelada, o sinal verde estava alegadamente aceso, o automobilista teria alegadamente 2 gramas de sangue no álcool. E tudo segundo fontes "próximas" de qualquer coisa, pois os jornalistas, hoje, não afirmam nem confirmam, repetem. Por estas e por outras, cada vez admiro mais o "Borda d'Água". "
5 de Noivembro, JN
O que é bom, é bom.... Na primeira crónica lida para o trabalho de imprensa, descubro que afinal ainda se escreve bem em poucas linhas neste país...
E de facto...embora o Jornalismo seja uma ambição e paixão para muitos, já não é o que era... já não diz "é" mas sim " poderá ser"....
e certezas?
mas levando isto para o lado da paixão..
a culpa não é bem dos jornalistas...mas sim da omissão de informação...e da falta do que dizer...se não há mais nada para dixer e há tempo e linhas para ocupar...só nos restam as suposições...
Não será assim?